06/08/2014

Fotos da minha vida


Uma moldura com as fotos dos seus primeiros momentos de vida. Foi este o presente da minha filha pelo aniversário do Pai. Uma moldura grande comprada no Ikea, uma pendrive com uma pequena combinação de fotos tiradas pelo telemóvel e pela máquina fotográfica, e lá fui eu toda contente a um estúdio fotográfico que desse corpo impresso à minha "visão artística".
Conversa vai, conversa vem com o fotógrafo/proprietário da loja dou por mim a chegar a casa nesse dia a vasculhar as minhas memórias digitais. Aquelas que estão fechadas em cd's e discos de memória portáteis. Algumas faz mais de dez anos que estão pr'ali fechadas.

"Infelizmente, isto das máquinas digitais e dos smartphones veio apagar as nossas memórias" as palavras do fotógrafo não me saiam da cabeça enquanto passava as fotos uma a uma. 
Ao mesmo tempo que via as fotos recordava-me de momentos que vivi, pessoas que conheci, lugares que visitei, algumas fizeram-me rir outras deixaram-me saudosa e até mesmo melancólica mas, acima de tudo, relembraram-me as minhas estórias, as minhas lições, enfim, a minha história de vida. Essa sensação de recordar a vida não me era estranha. Estava novamente nos meus 8 ou 9 anos quando passava o tempo a folhear os álbuns de fotos antigas dos meus avós e, até, dos meus pais. 

Nas paredes de minha casa tenho fotos impressas emolduradas, mas tendo em conta que nos dias de hoje passamos a vida a tirar fotos com os telemóveis a minha casa está pobrezinha de memórias. Dei por mim a comparar o número de fotos emolduradas na minha casa com as fotos emolduradas nas paredes de casa da minha avó. Vergonha. Nem com um iPhone eu me safo. Ganham as fotos a preto e branco do tempo da outra senhora em casa da minha avó. Maior vergonha que esta só mesmo o facto de eu não ter nenhum álbum de fotos. Nem unzinho!
A quantos de nós já aconteceu o computador crashar ou o telefone ter entregue a alma ao Criador e, naquele momento, das nossas bocas ter saído a famosa frase "o pior foi ter perdido as fotos". 
É, como me disse o fotógrafo, perder memórias. É mau. É horrível. E a pior parte é que não encaixa de todo com a facilidade com que fotografamos. 

Uns dias depois voltei a visitar o estúdio e sai de lá com cerca de 150 fotos impressas - estavam em promoção: mínimo de 100 fotos impressas, 12 cent de eur cada foto! - e dois álbuns de capa dura para 50 fotos cada um. Fiquei para lá de estupidamente feliz.

É claro que ainda faltam centenas de outras fotos e dezenas de outros álbuns, mas decidi que as minhas memórias devem ficar à minha mão de semear, para acima de tudo não perder a memória da minha própria vida. 

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