17/10/2013

A opinião do outro


Há umas semanas conheci uma pessoa que me confessou ter passado aqui pelo blogue para algumas leituras. Na altura, por cerimónia - tinhamos acabado de nos conhecer - evitei o informal "e então, que tal? Gostou?". Achei que um "fico muito contente porque é mesmo para ser lido que ali está!" acompanhado de um sorriso bastava para que se desse início a uma amena conversa sobre o calibre deste blogue, uma conversa construtiva sobre argumentos e experiências, sei lá, uma conversa que valesse a pena. Pois não.

Curto e grosso o meu interlocutor disparou logo à queima-roupa um "gostas de escrever com palavras caras e não gostas que toda a gente te entenda, é ou não é?" Sorri novamente e apenas para dispersar os olhares em volta respondi "pelos vistos chegou a hora de comprar uma gramática e um dicionário novos...".
Rimo-nos todos, aquele risinho social idiota e a conversa ficou por ali. Enfim, não me pareceram reunidas condições necessárias para a amena cavaqueira que tinha passado pela minha cabeça momento antes. Uma mulher não é de ferro...  

Incomoda-me não perceber o que estou a ler. Sou uma moça que gosta de mensagens por duas razões que se complementam: conteúdo e organização. Não há nada como uma mensagem previamente planeada, lógica, simples, directa ao assunto e com sumo - é uma espécie de garantia de compreensão. E eu sou danadinha para compreender tudo!

Quer isto dizer que escrever com palavras obscuras, indecifráveis para o comum dos mortais não é um objectivo de vida. Pelo menos não um objectivo para a minha vida, bem pelo contrário: é o meu maior pesadelo como escritora.

Passei anos a limar técnicas de simplificação de escrita. Escrevi, reescrevi e voltei a escrever parágrafos, textos inteirinhos. Dei a ler os textos a fulano, a beltrano e a sicrano para garantir a total transparência. Mudei a minha forma de escrita, tantas vezes quantas as necessárias. Anos de mudanças depois estava convencida de ter atingido a simplicidade que sempre desejei. "Pois...parece que não, minha querida!" diz-me o interlocutor crítico em pesadelos antes de disparar uma daquelas gargalhadas maléficas que me fazem acordar em sobressalto.

Depois penso que opiniões são opiniões e que perder o sono por conta das opiniões dos outros é uma perda de tempo. Aaaaahhhh bem dito senso comum, funciona melhor que comprimidos para dormir!

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